I’d give my heart



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Nos últimos dias a Globo tem noticiado diversos casos recentes de transplantes de órgãos que salvaram a vida de diversos enfermos, especialmente de crianças. O objetivo é nobre: sensibilizar a população para o drama destes pacientes e suas famílias, já que o número de doações de órgãos e tecidos no Brasil está caindo.

Relatos sobre pacientes aguardam a doação de algum órgão me toca profundamente, especialmente quando se trata de crianças que precisam de um novo coração. Com propriedade eu digo: só uma coisa deve doer mais em uma mãe do que ver um filho nesta condição.

Quando meu pequeno nasceu, descobrimos que ele tinha uma má formação congênita no coração, uma doença chamada Tetralogia de Fallot. Foi o pior dia da minha vida! Quando a médica fez o diagnóstico e viu meu desespero disse para eu me acalmar, era uma doença grave, mas tinha solução. Meu primeiro pensamento foi: transplante. Saímos do hospital e fomos encontrá-la em seu consultório, uma hora depois. Esta uma hora achando que transplante seria a única solução foi uma tortura. Felizmente eu estava errada, uma cirurgia corretiva aos 8 meses foi o que bastou para deixar o coraçãozinho do meu pimpolho batendo feliz e contente. Nunca escrevi sobre isto no meu blog, portanto também não agradeci aos amigos blogueiros que doaram sangue naquela ocasião. Antes tarde do que nunca: obrigada, queridos!!

O Johann está ótimo hoje, não fosse a cirurgia por que ele passou este ano para tirar os pontos de aço do tórax, já nem lembraríamos como é a UTI pediátrica do Instituto de Cardiologia. Mesmo assim, até hoje lembro bem daquela uma hora em que pensei que teríamos que entrar em uma fila de doação de órgãos e é o que basta para eu afirmar: dói.

Diversas vezes tive vontade de ajudar quem passa por situações semelhantes, mas o máximo que fiz foi trocar algumas mensagens com outras mães em comunidades de cardiopatias congênitas no Orkut. Gosto de saber que nosso exemplo serve para levar fé e esperança a algumas famílias, mas sei que nem todos os finais são felizes.

Se a blogosfera brasileira consegue se mobilizar para levar blogueiras à Playboy, para criar a Google bombs e deixar claro que não somos macacos, por que não fazer campanhas em prol do próximo de vez em quando? Adotem uma causa, defendam uma idéia, ajudem alguém.

Minha pequena contribuição fica registrada aqui. Avise sua família que você quer que seus órgãos sejam doados caso aconteça algo, você não vai precisar mais deles. E se alguém leu este post procurando pelo termo “Tetralogia de Fallot”, pode entrar em contato comigo que eu terei prazer em compartilhar a minha experiência.

Torço para que as mães que estão com seus pequenos doentes tenham a chance de ganhar muitos beijos gostosos de seus filhos, assim como os que o meu gurizinho me dá.

Saiba mais:

15 Responses

  1. ouço e leio tanto o nome dessa doença nas provas do thiago, mas não sabia que foi isso que ele teve.

    o que mais me deixa perplexa são as pessoas que se negam a doarem órgãos, seja aqueles que escolhem isso em vida ou os familiares que se negam a doar os órgãos de um filho ou parente seu que morreu. sempre quis saber o porque desse egoísmo. não conseguia achar uma explicação. nunca consegui entender porque uma pessoa é contra a doação (tá, eu tb não entendo como a religião afeta nesse tipo de coisa :P )

    esses dias vi no JA um médico dizendo que essas pessoas, a maioria delas, não tinha uma explicação concreta, ou seja, não doavam porque simplesmente não queriam doar. egoísmo! fiquei chocada. quero ver no dia que precisarem. aí quero ver se não vão mudar de opinião.

  2. todo mundo já sabe, mas publico aqui e assino embaixo: dôo tudo, das penas aos bicos e pés. Só, por favor, esperem que eu pare de usar antes de vir pegar, ok?

  3. Faço minhas as palavras do Urubu. Tudo que puderem aproveitar do meu corpinho podem levar à vontade.

  4. A gente tb é doador, temos até o adesivo da carteira de identidade. :) E tu tens razão, essa é uma questão que abarca toda a sociedade, blogueira, inclusive.

  5. eu doei faz anos já, tenho o adesivo na identidade… tb nao entendo como alguem se nega a fazer isso… bjos

  6. que adesivo é esse que eu não sei? Onde consigo?

  7. Desculpe-me se pareceu que eu lhe dei um “puxão de orelha”, Gi. Só quis dizer que achei mais importante falar primeiro da doação. Não quer dizer que eu não queira vê-la no BBB, também.
    Beijos.

  8. Claro que não, Enio!!
    :-)

  9. Eu sou um doador de órgãos, também tenho um problema cardíaco de má formação arterial, nada grave como foi o caso do teu filho e realmente muitos desencarnam (morrem) pela falta de órgãos para transplantes… Gisele, para receber essa sentença positiva da Providência Divina, de ter teu filho contigo e com teu marido, deves ter “perdoado a vida material de alguém” em reencarnação passada, onde provavelmente tiveste em alguma ocasião poder de vida e morte sobre esse mesmo alguém… Parabéns pela benção concedida, e continue “perdoando”, porque é assim que evitamos sofrimentos futuros! Que o Criador abençoe à ti e á tua Casa sempre e “Carpe Diem”… “Aproveite o Dia”…

  10. [...] começou nessa postagem da [...]

  11. [...] escrevi sobre doação de órgãos, pensei justamente no potencial de difusão de informações dos blogs sendo usado com propósitos [...]

  12. Gisele,
    Lindo o Johann, lindo. E que bom que o seu final foi feliz.

    E seu texto é muito esclarecedor. A ideía de usar os blogs para adotar causas, defender ideías e ajudar pessoas é algo que deveria ser estimulado. Afinal, o potencial de comunicação dos blogs é imenso. Que se use isto para o bem, e que após passar horas na frente do computador, tenhamos a sensação de que nosso tempo foi bem usado.

    Um abraço.

  13. [...] postei sobre meu drama pessoal e sobre como isso afetava meu posicionamento em relação à doação de órgãos, meu objetivo era [...]

  14. assi el helani…

    I Googled for something completely different, but found your page…and have to say thanks. nice read….

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