Quando eu era adolescente, costumava gravar fitas cassete com minhas músicas preferidas. Gravava muitas fitas. Deixava o dial do rádio em uma estação FM, no toca-fitas a dita cuja ficava prontinha esperando, o rec apertado junto com o pause. Já comentei aqui como fico nostálgica quando lembro do tempo em que era difícil conseguir músicas.
Não sou contra a economia da abundância. Viva a cauda-longa, a web 2.0, a facilidade na produção e distribuição de conteúdo, a wikinomics, a freeconomics. Só que a economia está baseada na escassez; o valor de um bem está baseado na relação entre oferta e demanda. Pelo menos era assim que o mundo andava. E agora? Quem vai resolver o problema do valor emocional de conseguir aquela música rara? Perdão pelo trocadilho infame e por soar tão frankfurtiana, mas, de certa forma, a escassez faz falta, sabe?
Tentarei me ater aos fatos emocionais. Faz tempo que não escrevo um post confessional e este era para ser um, mas estas teoriazinhas pentelhas já tinham que se intrometer. Prometo me conter. Como eu dizia no primeiro parágrafo, eu gravava fitas com as músicas favoritas, mas também gravava fitas temáticas:
- Música para dançar “like no one is watching”;
- Música romântica para facilitar o clima na hora do beijo;
- Música para facilitar o clima se pintasse aquele outro clima;
- Música para chorar depois de levar um fora;
- Música de apaixonada para ficar com cara de boba deitada na cama no escuro pensando no ser mais perfeito da face da terra que um dia ainda será meu namorado.
Não necessariamente com etiquetas com estes nomes, mas basicamente eram estas as minhas fitas. E depois CDs. Dizem que tem gente que faz playlists no computador assim, nunca tentei. Tá valendo, mas já aviso: não é a mesma coisa. A seleção rigorosa das poucas faixas que entravam e a ordem em que tocariam fazia toda a diferença.
Finalmente haviam as fitas - e CDs - dos namorados. E dos ex-namorados. Melhor quando era de um pretendente a namorado. Ouvir “vou gravar uma fita pra ti” poderia ser um atestado de segundas intenções, que só se comprovariam com a seleção das músicas. Lembro de ter ganho algumas fitas de uns amigos-pretendentes; em algum lugar ainda tenho um CD com um setlist matador feito por um ex após o término do namoro. De chorar no cantinho.
Além disso, pegar disco, fita e CD para gravar era a desculpa mais esfarrapada para interagir face-a-face com o ser cobiçado. Tinha que ir pegar; tinha que esquecer de devolver, pro outro vir cobrar; e depois tinha que devolver. Enquanto isso, se ganhava e tempo e intimidade. Engraçado é que até hoje associo músicas a determinadas pessoas, algumas delas por causa das tais gravações: Hold on to my Heart (WASP), When I look into your eyes (Firehouse), Rising Force (Malmsteen), Hellraiser (Ozzy), Amamos la Vida (Accept), Wuthering Heights (Angra), Would? (Alice in Chains), e Emotional Catastrophe (Dr. Sin) são clássicos na playlist da minha memória sentimal.
Resolvi contar esta história aqui depois de ver o blog Cassete From my Ex. Lá, outras “velhas” e nostálgicas que ainda guardam as fitas dos ex-namorados compartilham suas histórias de amor com música de fundo.
Conclusão: tem coisas que a web 2.0 nunca fará para você.
A estratégia do UGC (user generated content) ou CGC (consumer generated content), que já aparecia no site da Livraria Cultura através de reviews sobre os produtos está mais elaborada. Agora os usuários, consumidores, clientes, visitantes, leitores (ou como você preferir chamar) da livraria também podem submeter links de blogs, vídeos e fotos que estejam relacionados com o conteúdo do site:
Ainda não vi links e conteúdos associados aos livros que busquei. Enviei o link do meu post sobre o Chris Anderson como teste, mas é preciso esperar aprovação do conteúdo. Se você já viu ou enviou material, conte-nos!
Eu acreditava que os cartões virtuais ou e-cards estavam obsoletos. Ainda acredito, na verdade. Você mandaria algum atualmente? Ou pior: acreditaria que alguém realmente lhe mandou um e abriria aquele e-mail com o título “Fulano lhe enviou um cartão”?
Pensar neste hábito de um passado bem recente me faz rir. Eu costumava mandar e até curtia receber cartões virtuais, mas parece algo totalmente fora de cogitação hoje em dia. Foi por isso que eu achei engraçado ver na newsletter do Twitter a divulgação do perfil de um site de e-cards, mas conferi mesmo assim. Não há novidade alguma no serviço do Someecards, mas algumas mensagens são bem divertidas, como a que selecionei para desejar um bom final de semana a todos.
Só não entendi porque ainda insistem no modelo “envie por e-mail”… Já que estão no Twitter mesmo, não seria mais original um @fulano com link para mensagem?
O mais fantástico do YouTube e dessa coisa toda da tal Web 2.0 é ter a chance de esbarrar em grandes talentos por acaso. De que outra forma a Julia Nunes (que nome mais brasileiro para uma americana) poderia ter alegrado a minha noite com seus vídeos hilários, carisma e linda voz? Mesmo desafinandinho vez e outra, a menina é um show !!
Bubbly, Colbie Caillat
It’s raining men, the weather girls
Acabei de descobrir no Myspace da garota que ela já é considerada um fenômeno, lançou disco, tem vídeo com mais um milhão de views, etc.
UPDATE: eu achei os vídeos ao acaso graças ao Felipe que estava brincando de sessão clipes do YouTube pelo MSN comigo.
Como os políticos poderiam utilizar as mídias sociais para se comunicar com os cidadãos e, assim, construir uma administração pública realmente participativa?
No artigo How Our Next President Should Use Participatory Media, o jornalista Mark Glaser sugere como blogs, wikis, chats, mapas e comunidades virtuais poderiam ser usados pelo próximo presidente para uma gestão verdadeiramente democrática do país. E por que não pensarmos de um estado, cidade, bairro, escola, etc?
Mark Glaser pretende apenas dar o pontapé incial. Em seu blog Media Shift convida a todos a enviar mais itens para esta lista, aqui livremente traduzida e adaptada por mim:
- Escreva em um blog ou twitter para manter os eleitores atualizados sobre o que você está pensando e fazendo. Permita comentários e responda no blog.
- Coloque as principais iniciativas políticas em wikis para que sejam discutidas desde o princípio, antes de qualquer decisão.
- Ao invés de coletiva de imprensa, responda às perguntas dos eleitores via chat. Ou use o formato do site 10Questions, onde as perguntas mais votadas pelo público são respondidas por vídeo online.
- Coloque toda a sua agenda de atividades online. Temos direito de saber quem você está encontrando e por quê.
- Toda a vez que alguém fizer doações, diga quem, por quê e onde mora através de anotações no Google Maps.
- Crie uma comunidade online com conselheiros especialistas em determinadas áreas cruciais para o desenvolvimento do país, como educação, segurança, saúde, energia, economia.
Alguém tem mais alguma idéia brilhante como estas?
Para acalmar os ânimos de um ataque súbito de TPM resolvi testar sites de live streaming. Primeiro usei o Justin.tv. Achei ruim. O Yahoo Live! foi bem mais divertido e a imagem ficou melhor, mas acho que ainda sou mais fã do Stickam, talvez porque já conheça melhor o sistema e as possibilidades que ele oferece. Estou pensando em colocar uma câmera fixa ali na barra lateral e ficar me “broadcasting” enquanto trabalho. Só não decidi ainda qual canal vou usar.
A toda hora surgem “fenômenos” na Internet: sejam vídeos virais ou apenas pessoas que fazem a mesma coisa que tantas outras, mas que, por algum motivo, viram “celebridades”.
Nos últimos dias, as duas celebridades internéticas mais comentadas na grande mídia foram Marimoon, a fotologger que virou VJ da MTV, e Mallu Magalhães, a garota de 15 que canta muito e faz sucesso no Myspace.
Claro que meninas “fenômenos” como elas se transformam em tema de grande repercursão nos blogs: recentemente o Judão recuperou uma entrevista com Marimoon; já Dani Arrais publicou a sua com Mallu. O engraçado é que mesmo antes de ler estas duas entrevistas, eu já estava com a minha engatilhada. Este post está há dias esperando por uma versão final.
Minha intenção displicente de entrevistar um pessoal que fez certo barulho (literalmente) na Internet no início desta década acabou sendo um resgate histórico: a banda Os_Nerds foi o verdadeiro primeiro fenômeno viral da Internet brasileira!
Para os saudosos do IRC, boa leitura!
Eles são rapazes que, sem alternativa, desperdiçam a fase áurea de suas vidas na frente do computador, programando, teclando, jogando… Eu digo “desperdiçam” do ponto de vista do julgamento externo, pois, cá entre nós, todos somos iguais… Muitos fãs, do país inteiro, afirmam que Os_Nerds são precursores de um novo gênero musical, a “Nerd Music”… Não que eles se sintam confortáveis com isso, afinal, eles gostariam mesmo é de cantar sobre festas, mulheres, drogas e rock’n roll… Mas por falta do que falar sobre esses assuntos, eles falam do que fazem, e nós ouvimos o que fazemos. Release.
Como começou a banda Os_Nerds?
Começou como uma piada no mirc que constrangia e ofendia a todos, mas como não podíamos admitir que éramos verdadeiramente desgraçados, levamos a cruel brincadeira adiante. Como somos de Porto Alegre, entrávamos no saudoso servidor da VIA-RS e colocávamos “/me ouvindo Os_Nerds - Logs de Amor”, “/me ouvindo Os_Nerds - Até que o lag nos separe” nos canais em que achávamos que faríamos mais sucesso e, quem sabe, teríamos uma chance de que alguma garota se interessasse.
Um ano e quatro músicas depois, a banda promoveu um IRContro para que se conhecessem. Ninguém apareceu. Mais tarde, em troca de uma bolsa auxílio no curso de engenharia da computação, a banda fez seu primeiro show na PUCRS com chuck, |primo|, DanielCampos, JulioIgrejas, e Juanito. Julio e Juanito deixaram a banda e o ponk virou baterista.
Como era o processo de composição do grupo?
As primeiras músicas saíram com dificuldade. Árduos plágios de canções famosas com termos genéricos de informática e RPG encaixados no ritmo. Quando a banda se conheceu, fez “No mIRC eu Rasgo Fubanga”, que eu compus em 3 minutos enquanto o Juanito configurava a rede para jogarmos. Em função da sofisticação natural dos nossos meios de expressão artística, estruturamos um software com algorítmos capazes de compor até 3 canções por hora sem prejudicar significativamente o desempenho do Counter Strike.
As letras são inspiradas em experiências pessoais?
As letras são todas baseadas em IRC, inspiradas na falta de experiências pessoais.
Onde ocorriam as gravações?
Em casa, antes das partidas de D&D, enquanto o mestre organizava o jogo.
Como divulgaram a banda? Chegaram a ficar ricos e famosos? Conte sobre o
assédio das fãs, da imprensa, passeios na Ilha de Caras, etc.
Nós não divulgamos, mas quando se faz algo vergonhoso, todo mundo faz questão de espalhar, e conosco não foi diferente. Assim chegamos ao primeiro lugar da América Latina no (extinto) mp3.com e ao último do whodatedwho.com, o que fez com que a banda entrasse em crise e forjasse um suposto acidente de avião na Bolívia que teria causado a morte de todos.
Ao contrário de alguns anos atrás, atualmente ser nerd está na moda. Nerds são inclusive o sonho de consumo das garotas. O que você acha disso?
Achamos que isso é invenção da mídia porque nada mudou para nós. Continuamos sem pegar ninguém.
O grupo continua tocando?
Sim! Obrigado Pornotube!!!
Que acham de compor para os usuários outras tecnologias como Orkut, MSN, blogs, fotologs, Twitter, etc?
A banda tem um fotolog onde divulgávamos os shows e publicávamos umas historinhas, tipo fotonovela, contando detalhes da vida de quem não tem uma vida. Sobre o orkut compomos “Só me fodo - Brasil”. Quanto ao MSN, fizemos uma adaptação no último show (em comemoração ao episódio 6 de Star Wars) onde transformamos “Estou away para você” em “Estou em horário de almoço para você” - mas perdemos muitos fãs com isso.
Onde os fãs e curiosos podem econtrar os grandes sucessos de Os_Nerds para download?
Todas as músicas estão disponíveis para download no site da Tramavirtual. Também temos uma comunidade no Orkut, onde rolam fofocas quentíssimas sobre os membros da banda – procure-nos lá. Ou mande um email para fale.com.os.nerds@gmail.com
Gisele Honscha. 27 anos. Gaúcha. Mestranda em Comunicação e Informação na UFRGS. Especialista em TICs. Publicitária & Jornalista. Blogando sobre cibercultura, comunicação, marketing, tecnologia, música, moda, futilidades, a vida, e tudo mais desde 2002. Nerd & Proud.