Tuesday, 6 of November, 2007
Quando postei sobre meu drama pessoal e sobre como isso afetava meu posicionamento em relação à doação de órgãos, meu objetivo era provocar reflexões sobre o altruísmo que alguns blogs podem exercer ao divulgar informações que podem salvar a vida de alguém.
Sei que tenho um blog de poucos leitores, mas sabia que era só um conector (segundo denominação de Gladwell) ou um hub (conforme Barabási) comprar a causa que o assunto seria espalhado. E de forma modesta, foi. Postaram:
- Reflexões e Perda de tempo
- Sim, viral
- Sítio Paineira Velha
- 1001 Gatos de Schrödinger
O objetivo foi alcançado em parte, mas ainda assim achei pregar a doação de órgão um ativismo muito passivo. Temos que esperar a morte para isso, certo? Errado.
Passados alguns dias, li esta matéria sobre um bebê portador de uma doença grave que necessita urgentemente achar um doador de medula óssea compatível. E para doar medula óssea, deve-se estar bem vivinho.
Resolvi agir de verdade: me cadastrei para ser doadora de medula voluntária. Fui a um banco de sangue no horário de almoço, preenchi um cadastro e deixei que tirassem meu sangue, vide meu braço na foto ao lado. O primeiro passo para ser doador de medula é simples assim.
E aí? Quem mais se habilita? Agora é que eu quero ver!
# Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar Medula Óssea. Esta é retirada do interior de ossos da bacia, através de punções e se recompõe em apenas 15 dias.
# Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as medulas do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a UMA EM CEM MIL!
# Por isso, são organizados Registros de Doadores de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.
# Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.
Saiba mais no site do INCA.
Category: Campanhas, Saúde, Viral
Tuesday, 6 of November, 2007
Ontem, depois de comentar sobre o caso da Rosana Hermann, fiquei lendo o Querido Leitor, até me deparar com um post sobre o Flavia, vivendo em coma. O blog é mantido pela mãe de Flavia, uma menina que vive em coma há nove anos devido a um acidente com o ralo de uma piscina.
Passei horas lendo seu blog. Chorei ao ler a declaração de amor do irmão de Flavia. Fiquei chocada com o descaso da lei e dos responsáveis pela tragédia para com esta família. Quando eu era criança, lembro que morria de medo de ficar perto dos ralos das piscinas, minha mãe sempre dizia para eu cuidar, mas não imaginei que acidentes graves aconteciam de fato por conta deles. Há inclusive casos de adultos que faleceram da mesma forma em banheiras. Agradeço Odele Souza pelo alerta, com certeza estarei mais atenta o dia em que meu filhote entrar em uma piscina.
Da mesma forma como cheguei ao blog da mãe de Flavia, o Inagaki também chegou e postou sobre o assunto. E postou ainda sobre outro caso em que blogs estão sendo usados para divulgar informações aparentemente ignoradas pela grande mídia. Leia.
Quando escrevi sobre doação de órgãos, pensei justamente no potencial de difusão de informações dos blogs sendo usado com propósitos mais altruístas pelos mesmos blogueiros que se preocupam tanto em como ganhar dinheiro blogando… falarei mais sobre isso no próximo post.
Category: Blog, Direito, Mídia, Redes Sociais, Saúde, Solidariedade
Sunday, 30 of September, 2007

Nos últimos dias a Globo tem noticiado diversos casos recentes de transplantes de órgãos que salvaram a vida de diversos enfermos, especialmente de crianças. O objetivo é nobre: sensibilizar a população para o drama destes pacientes e suas famílias, já que o número de doações de órgãos e tecidos no Brasil está caindo.
Relatos sobre pacientes aguardam a doação de algum órgão me toca profundamente, especialmente quando se trata de crianças que precisam de um novo coração. Com propriedade eu digo: só uma coisa deve doer mais em uma mãe do que ver um filho nesta condição.
Quando meu pequeno nasceu, descobrimos que ele tinha uma má formação congênita no coração, uma doença chamada Tetralogia de Fallot. Foi o pior dia da minha vida! Quando a médica fez o diagnóstico e viu meu desespero disse para eu me acalmar, era uma doença grave, mas tinha solução. Meu primeiro pensamento foi: transplante. Saímos do hospital e fomos encontrá-la em seu consultório, uma hora depois. Esta uma hora achando que transplante seria a única solução foi uma tortura. Felizmente eu estava errada, uma cirurgia corretiva aos 8 meses foi o que bastou para deixar o coraçãozinho do meu pimpolho batendo feliz e contente. Nunca escrevi sobre isto no meu blog, portanto também não agradeci aos amigos blogueiros que doaram sangue naquela ocasião. Antes tarde do que nunca: obrigada, queridos!!
O Johann está ótimo hoje, não fosse a cirurgia por que ele passou este ano para tirar os pontos de aço do tórax, já nem lembraríamos como é a UTI pediátrica do Instituto de Cardiologia. Mesmo assim, até hoje lembro bem daquela uma hora em que pensei que teríamos que entrar em uma fila de doação de órgãos e é o que basta para eu afirmar: dói.
Diversas vezes tive vontade de ajudar quem passa por situações semelhantes, mas o máximo que fiz foi trocar algumas mensagens com outras mães em comunidades de cardiopatias congênitas no Orkut. Gosto de saber que nosso exemplo serve para levar fé e esperança a algumas famílias, mas sei que nem todos os finais são felizes.
Se a blogosfera brasileira consegue se mobilizar para levar blogueiras à Playboy, para criar a Google bombs e deixar claro que não somos macacos, por que não fazer campanhas em prol do próximo de vez em quando? Adotem uma causa, defendam uma idéia, ajudem alguém.
Minha pequena contribuição fica registrada aqui. Avise sua família que você quer que seus órgãos sejam doados caso aconteça algo, você não vai precisar mais deles. E se alguém leu este post procurando pelo termo “Tetralogia de Fallot”, pode entrar em contato comigo que eu terei prazer em compartilhar a minha experiência.
Torço para que as mães que estão com seus pequenos doentes tenham a chance de ganhar muitos beijos gostosos de seus filhos, assim como os que o meu gurizinho me dá.
Category: Saúde, Solidariedade