Sua vida trouxe você até aqui
Saturday, 22 of December, 2007
Não, este não é um post sobre a propaganda daquela marca de carro, mas você já parou para pensar como você chegou onde está hoje? Quais foram as decisões e as “roads not taken” que fizeram de você o que você é? Que marcos em sua vida acabaram influenciando todas as suas escolhas? Como se desenvolveu o enredo da sua trama? Qual é a sua história?
Não acredito em acaso. Nossos caminhos não são aleatórios, são resultado de uma rede de acontecimentos e influências que nos empurraram para este lugar, mesmo que a gente não tenha tido tempo ou lucidez para perceber. Sua vida trouxe você até aqui.
Muitas vezes eu me perguntei por que razões escolhi fazer faculdade de jornalismo. Nunca encontrei uma explicação lógica… até pouco tempo atrás. Não posso encher a boca para dizer “eu sempre quis”, “eu sempre soube”, “tá no sangue”, “não poderia ser diferente”. Pelo contrário: até o segundo ano do curso eu me perguntava que diabos fazia no meio daquele bando de malucos. Eu achava tudo um porre!
Lembro claramente do dia em que me inscrevi no vestibular para comunicação social. Eu já cursava Letras na UFPel, mas via como um hobby. Era algo para se fazer enquanto não tinha certeza do que realmente queria. Como tinha tempo livre (ainda mais com as constantes greves do ensino federal) e 80% dedesconto na universidade particular em que meus pais até hoje trabalham, queria aproveitar a oportunidade para escolher o que viria a ser minha verdadeira profissão. Mas qual?
Cresci numa família de profissionais da área da saúde. Pai, mãe, irmão mais velho, cunhada, padrinho, madrinha, agregados da família: todos farmacêuticos. Minhas referências de trabalho sempre foram laboratórios, farmácias e hospitais. Os tios? Médicos, claro. Neste contexto, o que eu poderia querer da vida? Nada mais óbvio do que continuar no ambiente que me era tão familiar, certo? Pois foi justamente a obviedade do caso que começou a me incomodar. Aos 16 anos eu queria meu espaço, queria firmar minha identidade, queria não ser óbvia, queria fazer o que ninguém tinha feito.
No dia da inscrição para o vestibular da UCPel, sentada no bar com a amiga Ludmila, peguei a lista de cursos e pensei: e agora? Farmácia mesmo? Nada, vou é inovar. Mas o que? Hmm.. publicidade parece divertido, mas eu não sou criativa (saiba como reverti esse pensamento)… jornalismo então, eu gosto de ler, de escrever, tem aula de teatro, rádio, foto, deve ser legal e o curso é noturno. Poderei dormir pela manhã. Simples e nada romântico assim. Aparentemente fiz uma das escolhas mais fundamentais da minha vida baseada em argumentos completamente vazios. Eu era uma “sem noção”.
Só que eu disse aparentemente. Pensando bem, a explicação na hora da inscrição foi apenas uma desculpa esfarrapada para uma escolha que eu não sabia como justificar. Mas hoje sei! Ao recapitular alguns momentos da minha história, percebi que por vocação ou destino, não importa, aqui cheguei porque aqui sempre quis estar.
Flashback minha vida me trouxe até aqui
* Mesmo antes de aprender a ler eu era uma apaixonada por livros, culpa dos meus pais: Ziraldo, Monteiro Lobato e Erico Veríssimo eram os autores que eu mais gostava de ouvir.
* Aos oito anos fiz minha primeira aula de informática: Logo (da tartaruguinha, lembra?). E ganhei um MSX de Natal, que está novinho na caixa até hoje! Aos nove tive aula de Basic, mas acabei desistindo porque não entedia nada. Veja bem, os colegas, em média, tinham mais de 15 anos.
* Na 5ª série “trabalhei” no jornalizinho do colégio. O “Jornal do Piá”, que era feito com letra set, máquina de escrever e fotocópia. Na primeira capa que fiz, com as tais “letra set” escrevi “comucação”. Que mico! Tenho isso guardado em Pelotas, postarei.
* Na 3ª série, eu e as mesmas colegas do jornal tínhamos o hábito de criar peças de teatro. Os professores deixavam a gente apresentar no final da aula e até no auditório da escola para outras turmas. Em uma das apresentações, eu, que fazia o papel da protagonista, fiz xixi na calça de tanto rir. Mas isso não vem ao caso.
* Na mesma época eu gravava programas de rádio em fitas cassete: eu apresentava as notícias, fazia a locução dos spots publicitários e cantava as músicas. Um dia, já na faculdade, ouvi uma dessas fitas e quase morri rindo. Eu era bem criativa! Tomara que encontre a tal fita na casa dos meus pais.
* Meu sonho de consumo era uma filmadora e sempre adorei tirar fotos.
* Nas férias, eu viajava com meus pais estudando inglês. Levava no carro os livros e as fitas para treinar durante o trajeto.
* Nas mesmas férias, um dos meus outros passatempos era brincar de redação. Que criança normal brinca de “estudar inglês e fazer redação”? Uma professora de literatura amiga da família, que se não me engano hoje é pró-reitora na PUC-RS, dizia que minha mãe deveria guardar minhas histórias, achava que eu tinha futuro escrevendo.
* Em 94 ou 95 cheguei a usar BBS antes da Internet chegar a Pelotas e eu me viciar no mIRC. Tive PC e internet em casa antes de todos meus colegas – graças a minha mãe que trabalhava na Universidade.
O resto da história é conseqüência. Olhando para trás, me pergunto: por que mesmo eu achava que deveria ser farmacêutica?
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Category: Cotidiano, Jornalismo, Vida
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