Agora foi demais. Abuso é pouco. Total falta de respeito com o leitor.
Li uma nota no site Vírgula. Ao final do texto, links de saiba mais sobre assuntos relacionados. Só que um deles é mentira, leva para o site de uma marca. Notem a url na barra inferior do browser. Essa gente que faz isso não se dá o respeito mesmo.
Há alguns dias eu postei uma charadinha com um QR Code. Custou a aparecer alguém para responder, e quem respondeu foi uma pessoa que mora no Japão (onde esta tecnologia não é novidade).
QR Codes funcionam como códigos de barras que podem ser lidos por celulares com câmeras. Basta instalar um programa no aparelho, tirar uma foto e ler a mensagem que está codificada. A minha charada foi feita pelo QR-Code generator. Neste mesmo site você pode fazer o download do QR Code Reader para seu celular.
Nas últimas semanas o novo hype em torno do QR Code é o clipe Integral do Pet Shop Boys, que traz centenas desses códigos. Vi no Engadget, mas também no e-code e Colmeia. Este último decifrou dezenas de códigos do clipe: URLs que apontam para sites sobre direitos e liberdades civis.
Outras aplicações para QR Codes, especialmente na publicidade, já foram mostradas no Advertising Lab.
O que me chama atenção nesta tecnologia é a possibilidade de tornar suportes não digitais em hipertextos. Ao colocar um QR Code em um anúncio de revista, por exemplo, mais que uma URL, eu posso colocar um link. Através de um celular, o leitor pode tirar uma foto do cógido e ser automaticamente direcionado para um site.
Está certo que a operção demanda muito mais esforço do que um link na web, mas não deixa de ser interessante para pensarmos em novas faces do hipertexto.
Neste tempo, as fitas eram invenções super modernas que podiam ser usadas em qualquer lugar, na escuridão, só você ouve a canção, eu vejo a luz vermelha do teu walkman. Adorei o clipe que fizeram desta música com imagens de Porto Alegre a partir de uma espécie de simulador de vôo. É incrível como eu amo esta cidade, fiquei emocionada!
Pois houve também um tempo em que se via TV aberta. Quem tinha antena parabólica (e não é que o Humerto cantou sobre isso também?!) ou TV a cabo era cheio da grana. Aí os pobres mortais eram amparados pelas fitas VHS.
Mesmo tendo TV a cabo, meu vídeo estava sempre pronto com uma VHS, esperando clipes raros que passavam na MTV. Sim, isso no tempo em que a MTV passava clipes. Sim, antes do youtube existiam clipes raros. Neste tempo, juntávamos dois vídeo-cassetes e trocávamos shows e clipes “raros”. E eu que achei que nunca mais veria Tyketto cantando Wings!! Era sem dúvida um clipe muito raro.
Antes de ser fã do youtube, eu era fã das fitas VHS. No começo da minha adolescência, além de clipes, eu adorava um seriado chamado Minha Vida de Cão (My so-called life), com a Claire Danes e o Jared Leto. Eu não tinha TV a cabo, mas fornecia VHSs para a Marina gravar o programa para mim. Havia um episódio em que a personagem Angela falava “This life has been a test. If this had been an actual life, you would have received instructions on where to go and what to do”. Eu me identificava tanto com esta frase… e quem diria que um dia eu a encontraria tão facilmente em menos de dois segundos? E quem diria que eu ouviria a música de Jordan Catalano novamente? E quem diria que Jared Leto viria a ser vocalista de uma banda emo chamada 30 seconds to mars?
Um dia vi um filme chamado “Heavy Metal do Terror”. A única pessoa que eu conheço que também viu este filme é a Camila, que pegou o tal filme na locadora. A Camila é quem tinha uma VHS com o clipe Wings da banda Tyketto. Wings eu encontrei no youtube, mas Heavy Metal do Terror não estou conseguindo achar. Muitos anos atrás eu cheguei a começar um post sobre este filme. É um dos filmes sobre os quais acreditei que nunca mais teria notícias e acabei encontrando umas duas referências a ele na Internet há uns quatro anos. Na época escrevi sobre o filme, peguei imagem, mas não postei. Era a prova de ele existiu de verdade, de que eu e a Camila não tivemos um delírio coletivo. E quem diria que eu não encontro nada sobre o tal filme agora? Já pedi para São Google, e ele não responde o que eu quero ouvir. Quem diria que ainda existem filmes raros no tempo em que ninguém mais precisa de VHS?
Gisele Honscha. 27 anos. Gaúcha. Mestranda em Comunicação e Informação na UFRGS. Especialista em TICs. Publicitária & Jornalista. Blogueira desde 2002. Mãe do Johann. Mulher do Rodrigo. Fã dos livros de Ítalo Calvino, da música do The Gathering e do filme Forrest Gump. Nerd & Proud.