Ainda lembro quando, há uns três ou quatro anos, meu irmão – então com 12 ou 13 – fez seu cadastro no Orkut. Chamou muito a minha atenção o fato de que ele preencheu TODOS os campos do Orkut: nome, sobrenome, endereço, telefone, etc. Claro, tive o cuidado de explicar que ele não só não precisava colocar tudo isso lá como não deveria.
Restringir o acesso de estranhos a certas informações pessoais parece óbvio para os já iniciados há um tempo no mundo digital, mas para crianças e novatos não é. A questão da privacidade tem sido exaustivamente debatida por quem trabalha e estuda os meios digitais, e me parece que, quanto mais jovem, menos o indivíduo se preocupa em manter certa privacidade. Em um post sobre Facebook x Orkut, Raquel Recuero lembra que quem viveu a fase totalmente vouyer do Orkut, quando tudo era aberto para todos, pode ter aprendido que nem sempre é bacana que tudo seja compartilhado com todos:
Com o “efeito mídia” das mazelas do Orkut, e a percepção de que não é tão interessante assim que todo mundo tenha acesso às informações que você publica online, as pessoas passaram a se preocupar no Orkut, deixando todas as informações mais privadas. [...] para o brasileiro que apropriou SRSs no contexto “Orkut”, esse voyerismo de saber da vida de quem você conhece só superficialmente continua sedutor. E as pessoas assim passam a apropriar o Facebook divididas: Querem ter amigos, mas querem limitar o acesso às suas informacões. Querem ver sem ser vistas.
Por Raquel Recuero
O que eu questiono é justamente como fica quem não passou por esse processo de aprendizagem? Como lidam com as informações pessoais aqueles que foram inseridos em sites de redes sociais agora, em função do Twitter, do Facebook?
Bem, minha “turma” de early adopters super conectados, cujas profissões exigem cadastro em cada novo site de rede social, live streaming e afins, pode até ser um pouco mais preocupada e consciente de suas publicações para o mundo, o que não que não significa um comportamento “adequado” necessariamente. De quando em vez bate o desespero e apago fotos, bloqueio estranhos, “desamigo” contatos, configuro tudo para o modo privado. Aí passa um tempo, surge algum novo objetivo ou teste e lá estou eu compartilhando enlouquecidamente como se não houvesse amanhã. Até dar um medinho novamente.
Esse post surgiu depois que assisti o o vídeo The Offline Social Network. Para não apenar postar um link como acostumei a fazer no Twitter, me forcei a fazer uma pequena introdução sobre o assunto e “puft”, um texto como posts de blog devem ser surgiu (acho que meu bloqueio textual criativo pós mestrado passou, mas esse é outro assunto).
Enfim, o vídeo mostra de forma irônica como podemos ser tolinhos…
Via All Facebook.
Moral da História:
1. De tempos em tempos avalie o quanto sua exposição pode estar colocando você em risco.
2. Se você tiver vergonha de mostrar para seus pais, não poste.
3. Se seus colegas de trabalho puderem vir a sentir vergonha alheia por você, não poste. Eu bem poderia exemplificar com algumas capturas de telas, mas há coisas que melhor serem esquecidas, por mais didáticas que sejam.
4. Pense antes. É possível apagar informações, mudar configurações, mas lembre-se que a memória da web é incontrolável e quase impossível de ser apagada. Depois de publicar uma informação na rede, ela pode se perpetuar e reverberar de muitas formas, como print screens, cache do Google, Wayback Machine do Internet Archive (olha a cara e uns posts do meu blog lá em 2007). Depois de publicar só resta rezar ou chorar.
5. Se você tem filhos, aprenda a usar as principais redes sociais e ensine o que fazer ou não fazer. Não é preciso muito tempo de pesquisa no Google para ver o estrago que uma publicação indevida pode trazer na vida de qualquer um. Eu diria que adolescentes merecem atenção em dobro, já que a combinação (vontade de se expressar + necessidade de autoafirmação + tendência a testar limites + incompreensão de consequências e responsabilidades) pode ser bem explosiva.
6. Última dica, especial para pais e familiares sem noção: não pratique bullying com seus próprios filhos. Nem todo vídeo egraçadinho precisa ser compartilhado com o mundo no YouTube. Não dá pra prever nem o alcance nem a reação da audiência:
- - O starwarks kid ficou traumatizado. Não foram os pais que divulgaram o vídeo, mas que sirva de lição.
- - O David After Dentist foi um sucesso.
- - O Justin Bieber virou um ídolo teen internacional com vídeos caseiros.
- - A Rebecca Black virou chacota mundial, financiada pelos pais.
- - Quem publicou – ou os responsáveis por quem fez isso – o vídeo do guri se chamando de burro porque cortou o cabelo deveria responder judicialmente por isso. Nem vou por link, tenho pena. Procura no YouTube se não viu, mas é um caso de bullying forte.
- - E a coitada da netinha com a vó desbocada, o que vai pensar sobre isso no futuro?
Veja também Is Public the New Private, outro vídeo interessante do mesmo programa, Hungry Beast.
E você, o que acha sobre isto?





