Quando comecei a usar o Orkut, em 2004, o que eu achava mais incrível era a possibilidade de achar as pessoas esquecidas em algum cantinho do passado. Retomei o contato com ex-colegas, resgatei amigas queridas e matei a curiosidade sobre o paradeiro de muita gente, foi ótimo.
Como o Orkut é o novo RG no Brasil, a fase de reencontrar pessoas já foi, mas a ferramenta ainda serve como ponte para chegar a tanta gente que eu conheci nesses quase 30 anos de vida e o dia que eu quiser ir ao encontro de alguém, é só atravessá-la.
O irônico é que de uns tempos pra cá essa maravilha que os sites de relacionamento oferecem tem me deixado bastante angustiada. Todo mundo já leu em algum lugar que é impossível realmente ter mais do que “x” amigos, afinal, amizades e relacionamentos requerem dedicação e tempo, esse recurso tão escasso. E se você nunca leu sobre isto, procure posts e artigos da Raquel Recuero.
Atualmente me sinto desconfortável em entrar no Facebook, no Orkut, MSN, Twitter e Gtalk e ver aquela enorme coleção de avatares de gente que passou na minha vida e com quem eu não troco um oi sequer há anos. Muitas dessas pessoas foram – e de certa forma ainda são – importantes pra mim. De algumas eu morro de saudades e queria muito voltar a ter um contato mais frequente. Só que isso implica em tomar uma iniciativa, correr o risco de não ser correspondida e, pior ainda, ser correspondida e não conseguir ter a força para sustentar a reconstrução de uma relação que está quietinha adormecida na memória. Aí eu faço nada ou muito pouco: olho as fotos, comento algo, mando parabéns pelo nascimento do filho, pelo aniversário e a vida segue.
Será que eu preciso dessa coleção mesmo? Às vezes penso em cortar de vez esse laço tão frágil e quase invisível que é “ser amigos” em rede social. Poder esquecer que algumas pessoas existem iria extinguir a dor de todos os dias perceber a ausência de tanta gente querida na minha vida. E também iria acabar de vez com a culpa que eu sinto por conhecer o caminho pra chegar perto de quem eu gostaria e mesmo assim continuar escolhendo a inércia.





