A música precisa das gravadoras?
Se pensarmos que a música existe desde milênios antes do surgimento das gravadoras, a resposta para a pergunta acima parece óbvia. OK, a música enquanto expressão artística não precisa. Mas a música enquanto produto cultural, talvez.

A banda Radiohead, apesar do sucesso com o lançamento do álbum In Rainbow na Internet ao preço “pague se e quanto quiser”, se uniu a mais de 60 músicos e bandas e formou um grupo chamado Coalizão de Renomados Artistas. O objetivo é fazer pressão nas gravadoras para terem um maior controle de seus trabalhos. Ou seja, se nem Radiohead aboliu de vez trabalhar com uma gravadora, talvez elas ainda sejam necessárias… ou não, né Malu Magalhães?
Saiba mais sobre esta história e veja o outro lado da questão na Snackzine desta semana.





Gostei do layout clean. Gravadoras são necessárias para fazer a parte gerencial e deixar o artista cuidar do que é mais importante : sua música. O problema é que nem sempre esses papeis são tão claros assim…
Vou mudar um pouco o enfoque, só para deixar algo para debate. Como publicitária, você conhece bem a máxima “criar a necessidade no consumidor”. Tudo bem que o RadioHead participe da coalizão, acho correto e eles têm mais é que lutar por seus direitos. Mas eles, e outros grupos e artistas, demonstraram que é possível divulgar e vender seus trabalhos através da net e das mídias sociais. Mais difícil, certamente, mas possível. Levando em conta a diferença entre o preço que o CD sai da gravadora e o valor pago ao artista por cd vendido, fica a minha pergunta: os artistas precisam mesmo das gravadoras ou acreditam que precisam porque ao longo do tempo foi “criada a necessidade” delas para a divulgação de seus trabalhos?
@Enio Luiz Vedovello : Talvez as gravadoras não sejam necessárias para divulgar os trabalhos dos artistas, a questão é que não é pelo fato de você poder fazer uma coisa sozinho que necessariamente vai querer fazê-lo.
Acho que bandas grandes (aí são bandas mundiais) não precisam mais de gravadoras. Eles têm grana, experiência, amigos e muita vontade de fazer. Aí está a independência deles.
Mas no que diz respeito a bandas pequenas ou médias, a gravadora ainda é bastante útil. O mercado está mudando, segundo a teoria da cauda longa, não terá mais dias de bandas hits e formulas para se ganhar dinheiro.
Daqui uns anos saberemos como realmente será.
Eu concordo um pouco com cada um.
Enio, acho que foi criada esta necessidade sim, por diversos jogos de interesses que a gente nem deve entender direito (como esquemas com rádios, por exemplo); e sim, a internet ajudou muito a romper essa dependência.
Por outro lado é o que o Edmar disse… poder, não significa querer fazer. É trabalhoso de fato, mas eles podem contratar uma equipe de trabalho que vai “sugar” menos do que uma gravadora, acredito eu. Por outro lado, talvez a gravadora dê um retorno + rápido e + garantido. Deve ser bem mais fácil ser hit com a gravadora do que sem.
MAs como Hamilton disse, não temos mais só hits. Será que muitos músicos poderão viver às custas dos nichos? Acho que sim. Músícos de bar fazem isso. Aqui em Pelotas tem um pessoal que só faz show nas redondezas e vive disso a vida toda. Volta e meia lançam um CD e fazem sucesso, mesmo sem ir no Faustão. O Ratto é um exemplo de músico que fazia muito sucesso na noite de Pelotas e hoje é super famoso em várias cidades do Brasil, a comunidade dele no Orkut bomba. Vive principalmente fazendo covers, mas compõe também. Não é hit, mas com muitos e muitos anos de trabalho, se destacou.
@Hamilton, só cuidado: o Anderson, quando fala em Cauda Longa, não diz em momento algum que os hits vão sumir. Apenas perdem a força e passam a coexistir com uma maior oferta de opções, os nichos.
Um músico iniciante consegue, hoje em dia, com as ferramentas que a própria internet oferece, divulgar seu trabalho. É myspace, orkut, fotolog, youtube… São tantos softwares surgindo para produzir música que, às vezes, nem mesmo um estúdio profissional é necessário. Acho que o papel da gravadora mudou, ela tem que se adaptar. Pouca gente compra cd hoje em dia – gravadora que quiser viver disso não se mantém mais. O próprio artista quer se separar das gravadoras antiquadas. Acho que o papel agora é promover os shows, fazer contatos com as rádios (querendo ou não, ainda são importantes), dar apoio aos grupos musicais – mas sabendo que eles não dependem mais de gravadoras. Acho mesmo que a gravadora está se tornando um “acessório”.
Um precisa do outro, mas não do jeito que as gravadoras fazem. O músico deve ser sempre o principal comandante do que quer fazer, e o primeiro a ganhar grana com isso. As gravadoras diz como querem as músicas e quanto querem ganhar, isso não pode nunca !