Cada um no seu quadrado



No Brasil existe uma espécie de senso comum segundo o qual o povo dos Estados Unidos não sabe de nada que acontece além de suas fronteiras. Deve ser por isto que um dos vídeos mais assistidos no YouTube mostra cidadãos americanos falando grandes asneiras “político-geográficas”. O perfil que hospeda o vídeo é de um brasileiro.

Esta visão que se cultiva por estas bandas sobre a falta de conhecimentos gerais dos americanos já foi tema de várias conversas com dois amigos dos EUA, um que conheci lá e outro que veio para o Brasil. O primeiro acha isto um absurdo e despeja milhares de argumentos tentando me convencer da supremacia e da maravilha que é a liberdade norte-americana (ok, não sei até que ponto não é só pra me provocar também); o segundo amigo, que esteve aqui, costumava a concordar com nossa visão sobre o país dele.

Toda generalização é burra, diz outro senso comum. Dizer que todos os americanos são burros, que os brasileitos são corruptos, que os argentinos são mal-educados, que os franceses são sujos, que os japoneses são tarados ou que os alemães são grosseiros é simplificar de forma burra, sim, além de ser xenofobista. Por outro lado, é muito difícil deixarmos estes rótulos de lado. Confesso que ao ver o vídeo acima dei uma risadinha e pensei “vou mandar o link pro amigo 1, junto com um I told you so“, mas e se fossem brasileiros respondendo a perguntas do mesmo tipo? Os nossos programas de humor já cansaram de mostrar que, infelizmente, o fiasco poderia ser até maior.

Bom, mas já que o post era para ser de humor, pelo menos em termos de presidente estamos menos ruim do eles. Tá certo que o Lula é o rei das analogias infames e gafes, mas ninguém bate a vergonha alheia que o Bush é capaz de produzir.

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    6 Responses

    1. De fato, a generalização é burra. E oculta (mal, mas oculta) preconceitos. Uma generalização que me irrita particularmente é a dos brasileiros contra os argentinos. Não conheci, até hoje, uma pessoa sequer que tenha ido à Argentina e tenha reclamado de não ser bem tratada. E é mais triste lembrar que este preconceito generalizado nasce simplesmente de uma rivalidade por futebol. Que atrapalha diversos outros setores do dia-a-dia.

    2. Gisele,
      Já ouvi esse papo, e não é de hoje.
      Mas não acredito que eles (EUA) sejam tão desinformados como essas pessoas dizem, haja vista as ações/interferências dos império em outros países.
      Concordo com vc e com o Enio sobre a generalização e preconceito que existem em nossa sociedade.

    3. [...] M, Tragédia) Então que hoje, chafurdando blogs e afins, me deparo com o sempre divertido blog da Gisele H. Este post linkado aí é [...]

    4. Olá. Esse vídeo é interessante, mas como disse Nelson Rodrigues e foi parafraseado no blog: “toda unanimidade é burra”.
      Obviamente o mesmo aconteceria aqui. Bastava entrevistar várias pessoas e publicar só as mais estúpidas.

      Correndo o risco de ser taxado de xenofóbico, existe um problema na cultura americana. Tenho amigos e presto serviços para eles há mais de 10 anos. O que pude reparar é que americano é acomodado pelo seu sistema, mas isso está mudando.

      Ano passado saí com um casal de amigos para jantar com amigos deles. Um cara na casa dos 30 disse que a capital do Brasil era……Buenos aires, hauhauhau. Só não ri na cara dele por educação. Sim, isso existe e não foi só uma vez.

      Americano não é versátil como brasileiro. Muitos ficam anos fazendo a mesma coisa no trabalho, se especializam nisso e não dão a mínima para saber do serviço do colega. Como o governo deles rouba menos e a economia faz o dinheiro circular, é mais fácil arrumar emprego. Por isso estão literalmente “cagando e andando” se forem desligados. Ao menos era assim até o Sr. Bush cagar a economia. Agora as ofertas estão diminuindo. De qualquer forma, as empresas pagam menos encargos sociais e os salários são mais altos.

      Esse comodismo chega ao lado cultural. Parece mentira, mas os americanos foram alienados por muitos anos. Se você ficar um certo tempo nos EUA e começar a ver os programas que passam na TV e conversar com as pessoas na rua tem a bizarra sensação de que muita gente só assiste a mesma coisa.
      Experimente perguntar sobre o tempo. Não é piada.

      O Jovem adolescente americano, em geral, é muito retardado. Só começa a botar o cérebro pra funcionar no final da faculdade. Isso porque nos primeiros anos é só festa, cerveja e sexo. Depois ele começa a descobrir que o mundo não é só a América. Aquela coisa de ser popular, líder de torcida e bobagens que vemos em filmes não são ficção.

      Os antigos só sabem de alguma coisa do exterior se já viajaram pra fora do país ou trabalham em profissões cujas informações externas possuem alguma relevância. Os locais com mais cultura são: New york, Florida, California e New Jersey. O resto é meio caipira e se veste muito jeca, hehehehe.

      Descobri que a massificação não ocorre apenas na economia americana. Ocorre também na cultura. Felizmente a internet está mudando as coisas e esperamos um futuro mais culto.

      Só o que me assusta é o caos que ficaria essa sociedade massificada e parcialmente alienada vivendo uma condição econômica como a nossa com empresas sendo massacradas com impostos abusivos, salários baixas, poucas oportunidades de empregos e, o pior que poderia acontecer para um americano: Ser contratado por um salário baixo e fazer a função de 3 pessoas.

      Brasileiro é um super herói. Pena que é um bunda mole e só vai pra rua pra comemorar a vitória do seu time ou da seleção. Se jogassem pedras em Brasília a coisa seria bem melhor.

      P/S: Enio, Buenos Aires trata bem porque precisa do dinheiro dos turistas, mas existe gente mal educada no lado mais rico. Espere a economia deles melhorar a ponto de voltar a desprezar turistas.
      Tem gente que fala mal dos Franceses, mas eu acho o Novaiorquino muuuuuito mais mal educado. Eles literalmente “don’t give a damn” pra você. Já a Flórida é uma festa.

      Vai entender….

    5. esse video é uma verdadeira bosta,quem gostade funk é
      um verdadeiro retardado.Barulho de nada que nao diz
      nada,nao se pode nem chamar de
      musica.

    6. Eu ia responder ao Enio, mas o Georges disse tudo em poucas palavras.

      Ou o Enio não foi a Buenos Aires, ou as pessoas tiraram uma onda, ou tem cego que não quer ver.

      Para mim, todas as anteriores.

      As generalizações não são burras. Aprendi isso depois de muito tempo, principalmente morando na Argentina. As generalizações existem para economizar tempo e não cair em armadilhas. A generalização MAIS burra é generalizar que as generalizações são burras.

      Grato.

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