Na Natureza Selvagem

Monday, 7 of April, 2008

Na Natureza Selvagem (Into the Wild) é simplesmente o melhor filme que vi nos últimos tempos. Como diretor, Sean Penn conta a história de um personagem verídico, Christopher McCandless, que no início dos anos 90 largou todo o conforto e viajou por dois anos rumo a uma vida livre e selvagem no Alasca. Into the Wild é baseado no livro homônimo de Jon Krakauer.

Ao ler qualquer resenha sobre a obra, não se deixe enganar pelo termo “aventura”. Embora a história seja cheia de passagens alegres e paisagens deslumbrantes, Na Natureza Selvagem é um filme denso e profundo – pelo menos para os olhos mais atentos. Assuntos como materialismo, conformismo, conflito entre pais e filhos, deixar-se ser amado, saber perdoar, solidão e felicidade são abordados de forma sutil por de trás de um personagem mostrado principalmente como idealista, altruísta e heróico, mas que também pode muito bem ser visto como mimado, egoísta, infantil e burro!

Não é de se admirar que a aventura de McCandless tenha sido inspirada em seus autores favoritos, como Tolstoi e Thoreau. Este último escreveu uma obra chamada Walden, onde conta os detalhes de sua jornada ao ficar isolado da civilização (mas não completamente) em um chalé emprestado por seu mentor e também escritor Ralph Waldo Emerson. Uma passagem de Waldo freqüentemente citada, inclusive no filme A Sociedade dos Poetas Mortos é:

“I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived.”

O enredo de Into the Wild é comovente por si, mas a maneira como Sean Penn contou o drama, foi brilhante. O tempo narrativo se alterna basicamente em três momentos de McCandless: sua vida antes da viagem, sua estadia no Alasca e seu percurso até o destino final. Os flashbacks mais emotivos são mostrados através de imagens “estilo Super-8” (se foram feitas mesmo com Super-8 não sei dizer, mas o efeito é esse). A irmã de Chris, embora seja parte da trama, aparece como uma espécie de narrador omnisciente, já que explicita o os sentimentos, mágoas e motivos do protagonista.

As mudanças no tempo, na película e no narrador são bem amarradas e dão uma dinâmica muito interessante ao filme. Outros recursos como a divisão em capítulos e frases poéticas escritas em caracteres garrafais em algumas cenas completam a estética da obra, que fica mais impressionante ao sabermos que antes de escrever o roteiro, Sean Pean fez a mesma viagem de Christopher, oportunidade em que pode conhecer e entrevistar alguns dos personagens que conheceram o protagonista. A trilha sonora foi toda composta por Eddie Vedder e é de arrepiar.

Dentre tantas mensagens e reflexões que culminaram em uma Gisele chorando copiosamente no banheiro do cinema, a que mais marcante foi:

“A felicidade só existe quando é compartilhada.”

Assista o trailer:

 


Pela primeira vez na vida eu quero ir ao cinema assistir ao mesmo filme pela segunda vez. Quem quiser, pode me convidar!

Category: Cinema

3 Comments

Comment by bruno

Made Tuesday, 8 of April , 2008 at 4:13 am

Li o livro na época do lançamento e gostei bastante, mas nao sabia que tinha saído o filme. vou procurar para baixar

Comment by bruno

Made Tuesday, 8 of April , 2008 at 4:17 am

e thoreau era maluco. quem eh que se mete no meio do mato 300 anos e gosta? :P walden é legal, mas é coisa de maluco.

dizem que o krakauer é muito parcial em seus livros e romantiza demais a verdade. até onde sei, metade do heroismo dele em O Ar Rarefeito é balela.

Ele lançou um novo livro faz pouco. É de se ler tb.

E procura uma foto do verdadeiro McCandless… absolutamente nada a ver com o que eu imaginava quando li o livro.

Comment by Maurício

Made Thursday, 17 of April , 2008 at 4:00 pm

Sensacional a resenha e o trailer. A montagem e os takes do filme parecem ser bem interessantes. Me deixou curioso…
Sobre a história, aquilo que todo mundo diz que queria fazer, mas nunca faz e provavelmente nunca vai fazer.
Afinal de contas, a gente precisa de $ pra comprar nossos Ipods e pagar domínios de sites, né? ;)
Fica complicado…
Mas uma ótima inspiração.

“Se quiser alguma coisa na vida, vá até lá e pegue.”

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Autor

Gisele Honscha. 27 anos. Gaúcha. Mestranda em Comunicação e Informação na UFRGS. Especialista em TICs. Publicitária & Jornalista. Blogando sobre cibercultura, comunicação, marketing, tecnologia, música, moda, futilidades, a vida, e tudo mais desde 2002. Nerd & Proud.