Publicidade, criatividade e streaking



Crianças são naturalmente criativas. Nascemos com uma incrível capacidade de inventar e achar soluções, mas, à medida que crescemos, parece que o mundo adulto vai podando nossas asinhas. Por exemplo, eu: morria vontade de fazer publicidade na faculdade, mas achava que eu não era criativa o suficiente para isso, por isso entrei primeiro em jornalismo. Ainda bem que no meio do curso aprendi que criatividade é algo que podemos treinar e desenvolver.

Descobri ainda que publicidade é muito mais do que criação de layouts e chamadas engraçadinhas: também diz respeito a negócios, estratégias e planejamento. Claro que a criatividade deve estar presente nessas atividades, assim como em qualquer área. Do lado em que me encontro hoje, isto parece óbvio, mas no começo da faculdade não era assim.

Bem, na verdade o que eu queria dizer mesmo é que desenvolver a criatividade em parte significa resgatar um pouco da imaginação da criança que um dia fomos. Na época do colégio eu sempre tinha pensamentos bizarros de fazer coisas inusitadas que chocassem os professores, mas faltava coragem. Afinal, eu era aquela menina calma e CDF e tinha que preservar a minha imagem.

Sabe uma cena do filme Mr. Jones em que o Richard Gere se levanta no meio de uma ópera e começa a “reger” a orquestra? Pois eu tinha vontade de fazer coisas desse tipo. Só que ele era um maníaco depressivo, e eu, a princípio, não. O que eu mais lembro de querer fazer era levantar calmamente no meio da aula e começar a apagar todo o quadro enquanto o professor o enchia de matéria. Nas apresentações de final de ano do ballet eu sempre pensava em mudar a coreografia exaustivamente ensaiada durante meses. Assim, do nada, como seu eu fosse meio doida. A sorte dos meus pais e professores é que eu conseguia controlar meus impulsos (digamos que até o segundo ano do 2º grau, mas isso não vem ao caso), ou eu poderia ter dado um tremendo trabalho.

Ou poderia ter virado uma streaker profissinal. Acabei virando publicitária. Deve ser por isso que eu achei o máximo o que o pessoal do newcreatives.com fez em Cannes. Tão tipicamente eu!

Aqui o resultado:

 

Saiba mais:

5 Responses

  1. Crianças não são criativas coisa nenhuma, você é que não batia bem. Crianças são aristotélicas, só querem saber de histórias com começo, meio e fim, estabelecem causalidade o tempo todo e organizam tudo em categorias. Um saco. Ah, sim, eu também fui uma criança xarope e sem criatividade alguma. Só mais tarde deixei de bater bem.

  2. Crianças não são criativas coisa nenhuma, você é que não batia bem. Crianças são aristotélicas, só querem saber de histórias com começo, meio e fim, estabelecem causalidade o tempo todo e organizam tudo em categorias. Um saco. Ah, sim, eu também fui uma criança xarope e sem criatividade alguma. Só perdi a sanidade mais tarde

  3. urubua com soluço, hic, hic

  4. Discordo em termos, Urubu. Crianças são aristotélicas, sim, depois de adultas perdem a lógica e o bom senso. Mas são criativas, inventivas e, acima de tudo, excelentes cientistas: estão sempre inventando experiências de comportamento que aplicam aos adultos. E estes, que se esquecem de quando foram crianças, agem direitinho, como ratos de laboratório.

  5. [...] vou é inovar. Mas o que então? Hmm.. publicidade parece divertido, mas eu não sou criativa (saiba como reverti esse pensamento)… jornalismo então, eu gosto de ler, de escrever, tem aula de teatro, rádio, foto, deve ser [...]

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