Como transcrever linearmente o pensamento hipertextual

Tuesday, 25 of September, 2007

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Havia um tempo em que música era um artigo que se comprava em lojas na forma de disco de vinil ou fita cassete. Já contei que lançaram um MP3 player que também toca fita cassete?

Neste tempo, as fitas eram invenções super modernas que podiam ser usadas em qualquer lugar, na escuridão, só você ouve a canção, eu vejo a luz vermelha do teu walkman. Adorei o clipe que fizeram desta música com imagens de Porto Alegre a partir de uma espécie de simulador de vôo. É incrível como eu amo esta cidade, fiquei emocionada!

Humberto Gessinger sempre foi um cara hipertextual, ou melhor, suas letras são cheias de intertextualidade, ricas em referências. Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros. O Humberto é um cara que sabe das coisas, já nos anos 80 ele explicou que no dia-a-dia da nossa aldeia há infelizes enfartados de informação.

Pois houve também um tempo em que se via TV aberta. Quem tinha antena parabólica (e não é que o Humerto cantou sobre isso também?!) ou TV a cabo era cheio da grana. Aí os pobres mortais eram amparados pelas fitas VHS.

Mesmo tendo TV a cabo, meu vídeo estava sempre pronto com uma VHS, esperando clipes raros que passavam na MTV. Sim, isso no tempo em que a MTV passava clipes. Sim, antes do youtube existiam clipes raros. Neste tempo, juntávamos dois vídeo-cassetes e trocávamos shows e clipes “raros”. E eu que achei que nunca mais veria Tyketto cantando Wings!! Era sem dúvida um clipe muito raro.

Antes de ser fã do youtube, eu era fã das fitas VHS. No começo da minha adolescência, além de clipes, eu adorava um seriado chamado Minha Vida de Cão (My so-called life), com a Claire Danes e o Jared Leto. Eu não tinha TV a cabo, mas fornecia VHSs para a Marina gravar o programa para mim. Havia um episódio em que a personagem Angela falava “This life has been a test. If this had been an actual life, you would have received instructions on where to go and what to do”. Eu me identificava tanto com esta frase… e quem diria que um dia eu a encontraria tão facilmente em menos de dois segundos? E quem diria que eu ouviria a música de Jordan Catalano novamente? E quem diria que Jared Leto viria a ser vocalista de uma banda emo chamada 30 seconds to mars?

Um dia vi um filme chamado “Heavy Metal do Terror”. A única pessoa que eu conheço que também viu este filme é a Camila, que pegou o tal filme na locadora. A Camila é quem tinha uma VHS com o clipe Wings da banda Tyketto. Wings eu encontrei no youtube, mas Heavy Metal do Terror não estou conseguindo achar. Muitos anos atrás eu cheguei a começar um post sobre este filme. É um dos filmes sobre os quais acreditei que nunca mais teria notícias e acabei encontrando umas duas referências a ele na Internet há uns quatro anos. Na época escrevi sobre o filme, peguei imagem, mas não postei. Era a prova de ele existiu de verdade, de que eu e a Camila não tivemos um delírio coletivo. E quem diria que eu não encontro nada sobre o tal filme agora? Já pedi para São Google, e ele não responde o que eu quero ouvir. Quem diria que ainda existem filmes raros no tempo em que ninguém mais precisa de VHS?

Category: Cinema, Hipertexto, Música, Tecnologia

9 Comments

Comment by MC

Made Tuesday, 25 of September , 2007 at 11:21 am

“Como transcrever linearmente o pensamento hipertextual”… olha, te digo como já tenteeeeei fazer isso… milhares de vezes, inclusive na minha dissertação. e é um inferno. algo praticamente impossível, como agradar gregos e troianos hehehe
mas, cheia de idas e vindas, a vida é um hipertexto, não é mesmo? hehe :)

Comment by Gisele

Made Tuesday, 25 of September , 2007 at 12:46 pm

MC, é difícil sim, mas o título do texto foi mais uma desculpa para poder escrever da forma que fiz.

Comecei um post, aí comecei a achar/lembrar de tanta coisa relacionada que resolvi fazer uma salada mesmo. Perdemos tanto fazendo textos coerentes, não é mesmo?

Viva o hipertexto!

Comment by Gisele

Made Tuesday, 25 of September , 2007 at 12:48 pm

Eu quis dizer que o hipertexto é incoerente? Não, mas parece que sim.

Não é bem assim, me expressei mal.

Comment by adri amaral

Made Tuesday, 25 of September , 2007 at 1:12 pm

Gisele, adorei o post pq eu gosto de todas essas coisas que tu falaste, o seriadinho my so called life, a música do tyketto, e tenho várias estórias sobre humberto gessinger..mas agora to na corrida e nao da tempo de contar heheheh… só te digo uma coisa, eu vi esse filme heavy metal do horror e tb nunca achei nada sobre ele…rs
bjo e viva o hipertexto!!!

Comment by Carmencita

Made Tuesday, 25 of September , 2007 at 7:35 pm

Lembrei-me do Zeca Baleiro: Heavy Metal do Senhor.

Comment by Raquel

Made Wednesday, 26 of September , 2007 at 10:36 am

O Jared Leto virou emo.

Comment by Teca

Made Wednesday, 26 of September , 2007 at 5:18 pm

Pra gente ver como é a vida… A Claire Danes no ótimo Garota da Vitrine e o Jared Leto surfando na ondinha emo. E pensar que um dia ela foi esnobada por ele…

Comment by Marina

Made Thursday, 27 of September , 2007 at 2:08 am

Oi Gi! Amei o post! Foi muito legal lembrar da nossa fissura pelo Minha Vida de Cão!
Pensando bem, a Angela influenciou minha adolescência… sem me dar conta, cortei o cabelo como o dela, usava macacão como ela e tinha várias camisas xadrez como ela!! Pode? E obviamente suspirava pelo Jordan… (até um ursinho que ganhei de 15 anos ganhou o nome de Catalano…) hahaha Muito bom!
A era VHS nos dava menos informação que a era google, mas nos alimentava mais a alma…
Beijos mil!

Pingback by Gisele H. » You don’t remember, I’ll never forget**

Made Thursday, 26 of June , 2008 at 6:42 am

[...] FM, no toca-fitas, a dita cuja prontinha esperando, e rec apertado junto com o pause. Já comentei aqui como fico nostálgica quando lembro do tempo em que era difícil conseguir [...]

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Autor

Gisele Honscha. 27 anos. Gaúcha. Mestranda em Comunicação e Informação na UFRGS. Especialista em TICs. Publicitária & Jornalista. Blogando sobre cibercultura, comunicação, marketing, tecnologia, música, moda, futilidades, a vida, e tudo mais desde 2002. Nerd & Proud.