I’d give my heart

Sunday, 30 of September, 2007

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Nos últimos dias a Globo tem noticiado diversos casos recentes de transplantes de órgãos que salvaram a vida de diversos enfermos, especialmente de crianças. O objetivo é nobre: sensibilizar a população para o drama destes pacientes e suas famílias, já que o número de doações de órgãos e tecidos no Brasil está caindo.

Relatos sobre pacientes aguardam a doação de algum órgão me toca profundamente, especialmente quando se trata de crianças que precisam de um novo coração. Com propriedade eu digo: só uma coisa deve doer mais em uma mãe do que ver um filho nesta condição.

Quando meu pequeno nasceu, descobrimos que ele tinha uma má formação congênita no coração, uma doença chamada Tetralogia de Fallot. Foi o pior dia da minha vida! Quando a médica fez o diagnóstico e viu meu desespero disse para eu me acalmar, era uma doença grave, mas tinha solução. Meu primeiro pensamento foi: transplante. Saímos do hospital e fomos encontrá-la em seu consultório, uma hora depois. Esta uma hora achando que transplante seria a única solução foi uma tortura. Felizmente eu estava errada, uma cirurgia corretiva aos 8 meses foi o que bastou para deixar o coraçãozinho do meu pimpolho batendo feliz e contente. Nunca escrevi sobre isto no meu blog, portanto também não agradeci aos amigos blogueiros que doaram sangue naquela ocasião. Antes tarde do que nunca: obrigada, queridos!!

O Johann está ótimo hoje, não fosse a cirurgia por que ele passou este ano para tirar os pontos de aço do tórax, já nem lembraríamos como é a UTI pediátrica do Instituto de Cardiologia. Mesmo assim, até hoje lembro bem daquela uma hora em que pensei que teríamos que entrar em uma fila de doação de órgãos e é o que basta para eu afirmar: dói.

Diversas vezes tive vontade de ajudar quem passa por situações semelhantes, mas o máximo que fiz foi trocar algumas mensagens com outras mães em comunidades de cardiopatias congênitas no Orkut. Gosto de saber que nosso exemplo serve para levar fé e esperança a algumas famílias, mas sei que nem todos os finais são felizes.

Se a blogosfera brasileira consegue se mobilizar para levar blogueiras à Playboy, para criar a Google bombs e deixar claro que não somos macacos, por que não fazer campanhas em prol do próximo de vez em quando? Adotem uma causa, defendam uma idéia, ajudem alguém.

Minha pequena contribuição fica registrada aqui. Avise sua família que você quer que seus órgãos sejam doados caso aconteça algo, você não vai precisar mais deles. E se alguém leu este post procurando pelo termo “Tetralogia de Fallot”, pode entrar em contato comigo que eu terei prazer em compartilhar a minha experiência.

Torço para que as mães que estão com seus pequenos doentes tenham a chance de ganhar muitos beijos gostosos de seus filhos, assim como os que o meu gurizinho me dá.

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Category: Saúde, Solidariedade

Procrastinar é…

Thursday, 27 of September, 2007

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Quem responder à pergunta secreta corretamente ganha um prêmio.

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Category: Procrastinar é...

Blogueira no BBB

Thursday, 27 of September, 2007

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Ganhei um selinho “Pode melhorar” no meu perfil do 8p com o qual me candidatei no BBB. Mazááá!!!

Sei que usar o 8p pata selecionar candidatos ao BBB é apenas uma estratégia na divulgação da ferramenta de fotos do globo.com. Não faço o tipo “sister”, nem teria coragem de pagar um mico desses na TV. Mas, se a blogosfera ferveu com campanhas em prol de blogueiras na Playboy, por que não uma blogueira no BBB? Lanço aqui minha campanha:

Blogueira a casa do Big Brother Brasil!
Vote em mim!!

O maior problema seriam as crises de abstinência. Seria vista roendo unhas, bêbada, chorando e fumando pelos cantos, desesderada pensando nos e-mails não respondidos, posts não publicados, comentários não lidos, trackbacks não nunca dante imaginados.

A leitura seria meu conforto, mas pelo que me consta, cada “brother” só pode levar um único livro. Pensando que os dois finalistas ficam lá por três meses, a dúvida então é: que obra levar? Um volume único com a trilogia Senhor dos Anéis? Ou com as obras completas de William Shakespeare na versão original em inglês arcaico?

Pensando bem, se eu quisesse continuar no mestrado, teria de ser algum livro técnico. Imagine eu no BBB lendo “Interação Mediada por Computador” no melhor estilo merchandising-puxa-saco-do-orientador para não ser expulsa do PPG. Ficaria apropriado, afinal de contas, acbei de descobrir que tal obra encontra-se na área de cobercultura, parece que é um novo campo de estudos que pesquisa a cultura dos cobertores, parentes muito próximos dos edredons. Tudo a ver com Big Brother, nuémezzzu?

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Meme que passo para colegas e professores da acadimia e apreciadores cobercultura em geral:

Que único livro você levaria para passar
três meses na casa do Big Brother Brasil?

 

PS. A campanha é uma brincadeira, mas se a produção me convidar até vou pensar sério.

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Category: BBB8, Meme, Tecnologia, Televisão

Como transcrever linearmente o pensamento hipertextual

Tuesday, 25 of September, 2007

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Havia um tempo em que música era um artigo que se comprava em lojas na forma de disco de vinil ou fita cassete. Já contei que lançaram um MP3 player que também toca fita cassete?

Neste tempo, as fitas eram invenções super modernas que podiam ser usadas em qualquer lugar, na escuridão, só você ouve a canção, eu vejo a luz vermelha do teu walkman. Adorei o clipe que fizeram desta música com imagens de Porto Alegre a partir de uma espécie de simulador de vôo. É incrível como eu amo esta cidade, fiquei emocionada!

Humberto Gessinger sempre foi um cara hipertextual, ou melhor, suas letras são cheias de intertextualidade, ricas em referências. Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros. O Humberto é um cara que sabe das coisas, já nos anos 80 ele explicou que no dia-a-dia da nossa aldeia há infelizes enfartados de informação.

Pois houve também um tempo em que se via TV aberta. Quem tinha antena parabólica (e não é que o Humerto cantou sobre isso também?!) ou TV a cabo era cheio da grana. Aí os pobres mortais eram amparados pelas fitas VHS.

Mesmo tendo TV a cabo, meu vídeo estava sempre pronto com uma VHS, esperando clipes raros que passavam na MTV. Sim, isso no tempo em que a MTV passava clipes. Sim, antes do youtube existiam clipes raros. Neste tempo, juntávamos dois vídeo-cassetes e trocávamos shows e clipes “raros”. E eu que achei que nunca mais veria Tyketto cantando Wings!! Era sem dúvida um clipe muito raro.

Antes de ser fã do youtube, eu era fã das fitas VHS. No começo da minha adolescência, além de clipes, eu adorava um seriado chamado Minha Vida de Cão (My so-called life), com a Claire Danes e o Jared Leto. Eu não tinha TV a cabo, mas fornecia VHSs para a Marina gravar o programa para mim. Havia um episódio em que a personagem Angela falava “This life has been a test. If this had been an actual life, you would have received instructions on where to go and what to do”. Eu me identificava tanto com esta frase… e quem diria que um dia eu a encontraria tão facilmente em menos de dois segundos? E quem diria que eu ouviria a música de Jordan Catalano novamente? E quem diria que Jared Leto viria a ser vocalista de uma banda emo chamada 30 seconds to mars?

Um dia vi um filme chamado “Heavy Metal do Terror”. A única pessoa que eu conheço que também viu este filme é a Camila, que pegou o tal filme na locadora. A Camila é quem tinha uma VHS com o clipe Wings da banda Tyketto. Wings eu encontrei no youtube, mas Heavy Metal do Terror não estou conseguindo achar. Muitos anos atrás eu cheguei a começar um post sobre este filme. É um dos filmes sobre os quais acreditei que nunca mais teria notícias e acabei encontrando umas duas referências a ele na Internet há uns quatro anos. Na época escrevi sobre o filme, peguei imagem, mas não postei. Era a prova de ele existiu de verdade, de que eu e a Camila não tivemos um delírio coletivo. E quem diria que eu não encontro nada sobre o tal filme agora? Já pedi para São Google, e ele não responde o que eu quero ouvir. Quem diria que ainda existem filmes raros no tempo em que ninguém mais precisa de VHS?

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Category: Cinema, Hipertexto, Música, Tecnologia

Filosofia do dia

Thursday, 13 of September, 2007

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Nos dias em que temos aula sobre Heidegger com o professor Rüdiger, eu e as colegas nos aquecemos com filosofia barata. Pensando sobre determinados engajamentos políticos, eis que ficou a dúvida:

Sempre teremos de ser contra ou a favor ou é possível ficarmos em cima do muro?

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Category: Filosofia de quinta

A verdade sobre Bin Laden

Wednesday, 12 of September, 2007

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Segundo fontes secretas altamente confiáveis, Osama Bin Laden passou por uma cirurgia plástica e hoje vive frente aos olhos de todos, possivelmente em Hollywood. Não se sabe ao certo qual sua verdadeira identidade, mas especula-se que:

1 - Tornou-se um renomado ator de mega produções.

2 - É jogador de futebol e casou com uma Spicegirl.

3 - Vive em reino muito muito distante.

4 - Mudou de sexo e virou uma cantora pop.

5 - Vive em uma ilha misteriosa desde que seu avião caiu por lá.

6 - Se esconde em uma escola onde estuda magia.

Jornalistas, atenção: assim como a notícia que o Alex publicou, o conteúdo deste texto é uma inverdade, não o reproduza no veículo de comunicação em que você trabalha.

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Category: Humor

Globo investe em ferramentas web 2.0

Monday, 10 of September, 2007

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Eu confesso: todos os anos eu penso em me candidatar ao Big Brother! Há uns quatro cheguei a começar a preencher um formulário de inscrição no site do programa, mas desisti. Ao ler o tal formulário eu pensei: bem que poderia ter um campo para “URL de seu blog”. Achei que eu poderia ter mais chances assim.

Desde então eu sempre penso que os produtores já deviam ter escolhido blogueiros o reality-show. Poderia trazer uma série de vantagens e novidades ao programa, mas aí este anos todos os BBBs ganharam blogs durante o confinamento. Logo vi que algo viria por aí, já que os BBBlogs não foram muito divulgados. Bingo! Pelo jeito a Globo está aprendendo a utilizar melhor as tecnologias digitais, ao menos duas novidades da marca sugerem isso.

BlogLog
Novo portal de blogs de celebridades da Globo.com. Dentre as divagações de Kelly Key, a filosofia de Hebe Camargo, o pensamento crítico de Ana Maria Braga, e o humor sarcástico de Fani Pacheco há ainda blogueiros que têm um pouco mais a dizer e fazem isto muito bem: estão lá também o poeta Fabrício Carpinejar, a filósofa Marcia Tiburi, e o escritor Miguel Paiva. Para registro: minha ironia não significa uma crítica negativa como pode parecer. Pelo contrário, acho ótimo o portal ser um espaço democrático, é possível que atinja pessoas que por outros motivos talvez não lessem blogs. Só que o slogan “Até Log, até Blog, até BlogLog” está de doer, hein?!

Inscrições no BBB pelo 8p e youtube
Agora os candidatos ao BBB devem postar um vídeo no Youtube e publicar fotos no 8p, o fotolog da Globo.com. Achei a solução quase óbvia, mas confesso que não esperava algo tão web 2.0 da emissora. Será que vão escolher alguém por lá mesmo? Isso vamos ver, mas com certeza deixa o público que assiste o programa e navega pela Internet com uma sensação agradável de estar de alguma forma participando do o processo de seleção dos futuros globais. Atualmente compartilhar é tudo, né?! Ah, sim, eu fiz meu 8p para testar a ferramenta, não é um Flickr, mas é bem melhor que o Fotolog.

Personal Blogger
Artistas precisam de personal trainner, personal stylist e personal tudo. Ainda não vi registros da profissão personal blogger, mas declaro aqui que estou aberta a negociações. Poderia ser função de uma assessoria de imprensa, mas estes novos blogueiros pop vão precisar de profissionais que realmente entendam de blogs. Um novo mercado se abre?

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Category: BBB8, Blog, Televisão, Web 2.0

Erros da campanha do Estadão

Saturday, 8 of September, 2007

finalmedchimp.JPGAté então, vinha me abstendo de comentários sobre a campanha do Estadão, o que não significa que não tenha me ofendido enquanto blogueira. A blogosfera ferveu debatendo a credibilidade de blogs versus imprensa: é praticamente um consenso que a credibilidade dos jornais é tão ou mais questionável que a de blogs, já que o compromisso com a veracidade das informações deveria ser muito maior nos veículos de comunicação que possuem a legitimação social que os jornais têm. No entanto, como nos mostrou o Alex, a credibilidade do Estadão está mais para argumento publicitário do que para prática jornalística.

E foi como publicitária que a campanha do Estadão me deixou mais incomodada. Como uma idéia ingênua, simplória, preconceituosa e debochada pode ter sido encaminhada por uma agência e aprovada pelo cliente? Buzzmarketing? Difícil de acreditar, “falem mal mas falem de mim” pode servir para celebridades brainless como Daniela Cicarelli e Paris Hilton, mas não para uma empresa que precisa construir uma imagem positiva. O que se passou na cabeça dos publicitários da Talent e do Estadão? As justificativas e tentativas de esclarecimentos não parecem explicar, tampouco melhorar a situação do jornal e da agência, que para mim, é tão digna de repúdio quanto seu cliente.

Depois de ler as últimas matérias do Link sobre a polêmica da campanha e o post do Alex sobre a notícia falsa não retratada do Estadão, concluo a Talent cometeu pelo menos três erros grosseiros, que poderiam reprovar qualquer trabalho de alunos de publicidade.

O Estadão diz:
“O responsável pela criação da campanha, o publicitário João Livi, da agência Talent, disse que a propaganda tinha por objetivo reafirmar a credibilidade do portal.”

Erro 1: Anti-propaganda
Tentar enaltecer qualidades do cliente atribuindo defeitos à “concorrência” não é uma boa estratégia. Além de ser ineficaz, pode ter efeito contrário, como foi o caso.

Erro 2: Falta de coerência
Imagine uma campanha da Coca sugerindo que guaraná é ruim, já que seu refrigerante de cola está perdendo mercado para as várias marcas de guaraná que existem no Brasil. Coca-cola também vende guaraná, o Kuat, mas isso não vem ao caso. O negócio é convencer o público de que guaraná não presta e que Coca-cola é que é refrigerante bom. Não faz sentido o Estadão manter blogs em seu portal e usar como argumento de publicidade a generalização de que blogs não são passíveis de credibilidade.

Erro 3: Propaganda enganosa
Qualquer pessoa tem noção de que não é possível usar como argumento de venda uma qualidade que um produto não tem. Os publicitários aprendem que devem explorar o diferencial do cliente; sabem que em uma campanha publicitária é possível omitir os defeitos do anunciante, mas também aprendem que nunca, jamais, poderão anunciar o que não é verdade. Dizer que a campanha do Estadão é “propaganda enganosa” pode até ser um exagero, mas talvez “credibilidade” não seja exatamente o ponto forte do jornal.

De qualquer forma, como diria meu caro orientador, a polêmica é construtiva. A mancada do Estadão parece ter feito blogueiros discutirem e refletirem mais sobre o papel dos blogs na sociedade. Por mais que as matérias sobre blogs no Link ainda mostrem uma tendência contrária aos blogs, nem tudo está perdido. Um dos repórteres em questão resolveu fazer o blog Desvenda Blogs, onde pretende entender a blogosfera de forma mais aprofundada entrevistando blogueiros que são referência no país. A iniciativa é boa, mas vale repreender com um chavão: demorou!

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Category: Blog

Autor

Gisele Honscha. 27 anos. Gaúcha. Mestranda em Comunicação e Informação na UFRGS. Especialista em TICs. Publicitária & Jornalista. Blogueira desde 2002. Mãe do Johann. Mulher do Rodrigo. Fã dos livros de Ítalo Calvino, da música do The Gathering e do filme Forrest Gump. Nerd & Proud.